24 . out . 2017 Mindfulness  Mindfulness  

6 atitudes treinadas em Mindfulness que modificam nossa postura diante da vida

atitudes treinadas em mindfulness

No post Mindfulness: o que é e por que está se falando tanto no assunto? eu afirmo que precisamos ter em mente que a prática de Mindfulness não envolve apenas prestar atenção, intencionalmente, na experiência presente. Também é fundamental o como prestamos atenção, como agimos diante do que percebemos e/ou vivenciamos.

Se pudéssemos colocar Mindfulness numa equação ele seria o somatório entre intenção, atenção e atitudes (Shapiro, 2003). Vamos entender melhor?

Tudo começa com intenção e atenção. Essa é base.

Intenção é: o que te leva a praticar? O que te motiva a praticar?

Ter essa clareza é condição necessária para sustentar o compromisso e a disciplina com a prática. Permite também que você possa buscar espaços e propostas que estejam alinhados com o que você busca.

Atenção é: onde está a sua atenção e no que você presta atenção.

Nas palavras de William James, psicólogo americano: “A realidade está onde você coloca a sua atenção”. Ou seja, a nossa realidade é construída através do que escolhemos, consciente ou inconscientemente, prestar atenção. Portanto, saber onde está a sua atenção é vital!

As atitudes, por sua vez, são o que faz a diferença.

Elas nos convocam a refletir sobre a nossa ação no mundo e nos convidam a experimentar um novo olhar e uma nova postura diante da vida e de tudo que notamos e apreendemos. Elas são necessárias tanto à vivência das práticas quanto se desenvolvem a partir das práticas.

E quais são as atitudes treinadas em Mindfulness?

Vamos conhecer algumas das atitudes praticadas em Mindfulness:

1. Mente de principiante

É a mente da criança; curiosa, flexível. Cada momento é único e contem possibilidades únicas. Muitas vezes deixamos que os nossos pensamentos e as nossas crenças sobre o que ‘sabemos’ nos criem obstáculos e nos impeçam de ver as coisas como elas são e a reconhecer o potencial de mudança que existe em nós e no mundo a nossa volta.

2. Aceitação

Muitas vezes confundida com passividade ou resignação, é exercitada na prática de Mindfulness como um processo ativo de reconhecer a sua experiência num dado momento, acolher o que surge, abandonando o pensamento de como as coisas deveriam ser para se dar conta e lidar com o que as coisas são.

3. Não julgamento

Julgamentos são apenas julgamentos e não a realidade em si. Com a prática vamos aprendendo a reconhecer o fluxo de julgamentos na mente, sem tentar pará-lo ou alterá-lo, mas ganhando consciência da sua presença e da sua influência em nossas percepções e ações.

4. Gentileza

É uma qualidade afetiva que se expressa na maneira como nos relacionamos com a nossa experiência e a experiência do outro. Envolve reconhecer e acolher o sofrimento com delicadeza e amabilidade.

5. Deixar ir

Cultivamos uma atitude de desprendimento em relação ao que não nos é útil, ao que nos mantém presos a certezas e verdades absolutas, ao que nos impede de cultivar uma visão clara e estável de nossas relações e experiências.

6. Gratidão

A prática de gratidão tem uma estreita relação com o bem-estar. Ela nos convida a sair da “lógica” da escassez, do que nos falta, e a nos conectar com a “lógica” da abundância, daquilo que já temos. Ela amplia a nossa a visão contribuindo para uma maior resiliência e saúde emocional.

Lembre-se: Cada uma das atitudes praticadas em Mindfulness é uma porta de entrada para as demais.

Como toda e qualquer habilidade estas atitudes podem ser cultivadas e fortalecidas com a prática. Elas são um convite para uma nova forma de ser e estar no mundo.

Referências

Dell Shapiro, S.L., Carlson, L.E., Astin, J.A., & Freedman, B. (2006). Mechanisms of Mindfulness, J Clin Psychol, 62(3):373-86.

Kabat-Zinn, J. (1990). Full catastrophe living: Using the wisdom of your mind to face stress, pain and illness. New York.

Sopezki, Danniela. http://suamenteseumundo.com.br/textos/mindfulness-as-3-principais-caracteristicas-conceituais/

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Ingrid Pena

Psicóloga | CRP 08/20413

Psicóloga metida à antropóloga. Residiu fora do país por 07 anos e atuou em contextos variados como hospitais, centros de acolhimento para população migrante e refugiada e empresas. Atualmente trabalha na Secretaria de Saúde com população Travesti e Transexual. Apaixonada pela diversidade e o florescimento humano.
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