28 . mar . 2017 Emagrecimento  Maternidade  

Sim ao arroz e feijão: dupla diminui o risco de obesidade em crianças

arroz e feijão

Em dezembro do ano passado foi publicado no British Journal of Nutrition um estudo com 1.232 crianças brasileiras com idade entre 7 a 10 anos. O estudo, conduzido por pesquisadores europeus e brasileiros, avaliou as associações entre o excesso de peso e os hábitos alimentares dos escolares, no que diz respeito não só aos tipos de alimentos ingeridos, mas também aos horários em que são feitas as refeições de maior volume. Vamos descobrir a relação entre esse estudo e o consumo do arroz e feijão? Confira como foi o estudo:

Relação Quantidade Alimentar x Obesidade

O padrão alimentar das crianças foi classificado em 4 classes:

  • (A) maior ingestão somente no almoço;
  • (B) menor ingestão em todas as refeições;
  • (C) maior ingestão no almoço e lanches;
  • (D) menor ingestão no café da manhã/ceia e maior ingestão em outras refeições e lanches.

As probabilidades médias de obesidade nessas classes eram de:

  • (A) 6%;
  • (B) 13%;
  • (C) 12%;
  • (D) 11%.

Isso mostrou que as crianças que fazem a maior refeição na hora do almoço, tem menores chances de sofrer com excesso de peso.

Relação Qualidade Alimentar x Obesidade

Aliado a isso, o tipo de alimento consumido também variou entre os diferentes grupos.

  • (A): tiveram os menores índices de obesidade. Faziam o almoço tradicional, com maior probabilidade de ter arroz e feijão no prato (51 e 80%, respectivamente).
  • (B): apresentou os maiores índices de obesidade. A probabilidade maior era de não haver arroz e feijão no prato do almoço (51 e 74%, respectivamente).
  • (C): apresentou padrão do almoço semelhante ao grupo (A). Entretanto, as crianças desse grupo tinham maiores probabilidades de consumir mais pães/biscoitos e leite com chocolate nos lanches também, alimentos ricos em açúcares simples que favorecem o ganho de peso.
  • (D): menor ingestão geral no café da manhã e ceia. Tenderam a comer uma refeição mais parecida com o almoço no lanche da manhã (com arroz, feijão e vegetais), além de almoçar e comer mais pães/biscoitos no lanche da tarde.

Atualmente, 1/3 das crianças do Brasil sofrem com o excesso de peso e o índice de obesidade aumentou 79% entre 2008 a 2013, atingindo 345.270 crianças de 0 a 5 anos. As consequências da obesidade na infância para a saúde são enormes, devido a associações metabólicas, cardiovasculares, ortopédicas, psicológicas, e ao aumento em duas vezes na chance de permanecer obeso na vida adulta.

Diga sim ao Arroz e Feijão!

A última pesquisa sobre alimentação, a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, mostrou que o prato do brasileiro vem perdendo sua qualidade – o arroz e o feijão, além das frutas, verduras e legumes, vem perdendo lugar para alimentos industrializados como biscoitos recheados, salgados fritos, sanduíches e refrigerantes, devido a facilidade de consumo. Como consequência, quase 60% dos brasileiros estão acima do peso.

Esse prato típico do Brasil, além de excelente fonte de energia, fornece a combinação perfeita de aminoácidos que são essenciais para nossa saúde, e que o nosso próprio corpo não produz. Além de ser fonte de fibras que contribuem para a saciedade. Moral da história: muito se engana quem pensa que um bom prato de arroz com feijão atrapalha a dieta. Que tal valorizarmos o arroz e feijão nosso de cada dia? E vamos botar água no feijão!

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Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde. Vigitel Brasil 2014: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. – Brasília, 2015.

BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009 : análise do consumo alimentar pessoal no Brasil / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. – Rio de Janeiro : IBGE, 2011.

KUPEK E, LOBO AS, LEAL DB, BELLISLE F, DE ASSIS MA. Dietary patterns associated with overweight and obesity among Brazilian schoolchildren: an approach based on the time-of-day of eating events. Br J Nutr. 2016; 116(11):1954-1965.

Letícia Watanabe Ribeiro

Nutricionista | CRN 3-41511

Formada em nutrição pela Universidade de São Paulo desde 2014 e coleta mais de três anos de experiência na área, atuando na reeducação alimentar em empresas que procuram aumentar seu desempenho com a mudança de cultura.

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