Entenda os hormônios da saciedade e coma menos sem ficar com fome

hormônios da saciedade

Você sabia que a quantidade que comemos é regulada por hormônios? Mas quais são os hormônios da saciedade e como eles agem no nosso corpo?

Hormônios são substâncias químicas produzidas por glândulas e são muito importantes para o controle do funcionamento do corpo. Testosterona, adrenalina, insulina, estrógeno e muitos outros hormônios (cerca de 50!!) são produzidos por órgãos especializados, sendo que cada um possui uma ação específica.

Qual a função dos hormônios na alimentação?

Os hormônios controlam nossa fome e saciedade, percebendo quando nossos órgãos estão fazendo a digestão e avisando o nosso cérebro se devemos continuar comendo ou se podemos parar de comer. Isso quer dizer que os hormônios participam do controle do nosso comportamento alimentar (parte neural). Além disso, também regulam o quanto nosso corpo gasta de energia.

Ainda são necessários novos estudos para entender melhor o papel exato dos hormônios, mas já dá para ter uma ideia de como o nosso corpo trabalha e depende deles para funcionar!

Os hormônios da saciedade

Leptina

Um dos hormônios mais importantes para nossa alimentação é a leptina. Ela aumenta a saciedade e é liberada pela nossa massa de gordura, portanto, quem tem mais gordura tem maior quantidade desse hormônio.

Mas então por que pessoas com maior gordura continuam sem tanta saciedade?

A resposta está no fato de que se cria uma RESISTÊNCIA, onde se tem tanto desse hormônio circulando no sangue que ele já não consegue mais fazer sua função muito bem! É um processo parecido com o que ocorre na resistência à insulina, que pode levar ao desenvolvimento de diabetes.

Colecistoquinina e Peptídeo YY

Quando o alimento chega no intestino, hormônios chamados colecistoquinina e Peptídeo YY percebem a quantidade de nutrientes e sinalizam a saciedade após uma refeição. É como se esses hormônios avisassem o cérebro de que chegou alimento e que nós podemos parar de comer!

E qual o hormônio da fome?

O aumento da fome é resultado de vários hormônios, entre eles a grelina e neuropeptídeo Y. Antes de uma refeição, os níveis de grelina no sangue aumentam quase duas vezes, e rapidamente caem depois, sendo essa diminuição mais rápida quanto mais calórica for a refeição.

Use esse conhecimento e melhore sua alimentação

Todo esse processo dos hormônios da saciedade leva de 20 a 40 minutos. Quando se come muito rápido é preciso comer mais para ficar satisfeito, aumentando o risco de se sentir estufado depois.

Para que o corpo reconheça todo esse sistema hormonal é necessário exercitar o comer com atenção plena!

Leia também: Mindfulness: o que é e por que está se falando tanto sobre o assunto?

Dicas para comer com Atenção Plena

  • Concentre-se na refeição
  • Mastigue bem os alimentos
  • Pouse o garfo na mesa após cada garfada
  • Faça pausas durante a refeição para aumentar a sua percepção
  • Aprecie sua comida: preste atenção na textura e no sabor que ela tem.

Evite comer sem mastigar direito, mexendo no celular e sem consciência, pois isso irá atrapalhar a percepção de saciedade. Ao longo do tempo, esses maus hábitos podem contribuir para compulsões e uma alimentação desequilibrada.

Nossa natureza dispõe do mais refinado sistema de controle, então não vamos deixar o estilo de vida atrapalhar o funcionamento dele, né? Tarefa para a próxima refeição: exercite a atenção plena e preste atenção aos sinais de saciedade! Depois me conta como foi! 🙂

Referências

LANDEIRO, F. M.; DE CASTRO QUARANTINI, L. Obesidade: controle neural e hormonal do comportamento alimentar. Revista de Ciências Médicas e Biológicas, v. 10, n. 3, p. 236-245, 2011.

HALPERN, Z. S.; RODRIGUES, M. D. B.; COSTA, R. D. Determinantes fisiológicos do controle do peso e apetite. Rev Psiq Clin, v. 31, n. 4, p. 150-3, 2004.

elisa yumi nutricionista

Elisa Yumi Koyama da Silva

Nutricionista | CRN 3-47046

Acredita que o respeito à cultura alimentar e a abordagem comportamental são fundamentais para o acompanhamento nutricional. Afinal, o que comemos diz muito sobre quem somos e sobre nossa história. Defende que a relação entre nutricionista e paciente deva ser de construção conjunta e o nutricionista apenas um facilitador das conquistas que estão dentro de cada um.

“Poder trabalhar empoderando as pessoas e promovendo saúde e bem-estar é muito gratificante, principalmente ao ampliar a alimentação para os aspectos psicológicos, emocionais e sociais.”

Dá muita importância ao resgate do prazer em comer, ao respeito ao corpo e à autonomia dos indivíduos sobre suas escolhas alimentares. Acredita que o papel do nutricionista é muito bonito ao ampliar o real significado da alimentação a quem tem diferentes objetivos nutricionais!

Veja todos os posts de Elisa Yumi Koyama da Silva