02 . jun . 2017 Happy Hour  Prevenção e Saúde  Triglicerídeos  

Nutri, cerveja pode? Como escolher uma boa cerveja?

como escolher uma boa cerveja

A cerveja é uma bebida muito antiga, produzida há 8 mil anos pelos sumérios e assírios. Na Idade Média, chegou à Suíça e de lá se espalhou rapidamente por toda a Europa. No Brasil, começou a ser produzida em 1853. Basicamente, leva 4 ingredientes: água, lúpulo, cevada e fermento (leveduras). O fermento em conjunto com a cevada vai produzir o malte da cerveja. Além disso, podem ser adicionados “temperos”, como frutas e ervas para dar sabor.

Como escolher uma boa cerveja?

Tipos de cervejas

Existe uma infinidade de variedades pelo mundo (estima-se que mais de 20 mil!). O que muda, muitas vezes, são detalhes: pequenas mudanças no processo de fabricação, como diferentes tempos e temperaturas de malteação, fermentação e maturação, e o uso de outros ingredientes. Podem ser divididas em lagers e ale, sendo que cada categoria contém várias ramificações.

Lagers: são as mais comuns no Brasil e são consideradas cervejas de baixa fermentação. Tem teor alcoólico de 4 a 5%.

Ale: até o século XIX eram as únicas cervejas existentes. A fermentação é feita em temperaturas mais altas do que as do tipo Lager e são mais encorpadas e espumosas.

Existem ainda, como alternativa para quem não bebe álcool, as cervejas sem álcool. O processo de fabricação é parecido com o das cervejas comuns, mas a fermentação é controlada para não produzir muito etanol. É preciso cuidado nesse processo para que a cerveja não fique muito amarga.

Cervejas maltadas x cervejas não maltadas

No Brasil e em alguns outros países, ao contrário da Alemanha, podem ser usados outros cereais para substituir a cevada, como arroz e milho. Isso acontece já que alguns países não tem grande produção de cevada, além de ser uma estratégia para abaixar o preço da bebida.

A legislação brasileira permite que até 45% do malte da cerveja seja oriundo de outros cereais. Para muitos fãs, isso descaracteriza a bebida e faz com que a qualidade seja menor. Para saber direitinho a composição da cerveja que está tomando, a solução é ver o rótulo: se na lista de ingredientes estiver escrito “cereais não maltados” você está consumindo uma cerveja com menos cevada.

Outra discussão importante ao redor dos tipos de cerveja é a presença de conservantes. As cervejas não maltadas precisam de conservantes artificiais para que o milho ou arroz não “estrague”. Já as cervejas maltadas, produzidas com os mesmo ingredientes há séculos, quando nem existiam conservantes artificiais, não precisam desse tipo de aditivo. Sabemos bem que conservantes artificiais devem ser evitados e que, em excesso, podem fazer mal a longo prazo. Dessa forma, para quem consome cerveja com frequência, a melhor opção é procurar por produtos maltados e sem conservantes.

Composição nutricional

Por ser a bebida alcoólica mais consumida no nosso país, é importante, além de pensarmos na qualidade dos ingredientes, verificar o valor nutricional da cerveja. Como podemos ver na tabela abaixo, uma lata tem um valor calórico considerável, não é?

Cerveja tipo lager nacional – 350ml (1 lata)

Kcal 150
Carboidratos (gramas) 12
Álcool (gramas) 14 – 17

Mas além disso, temos que parar para pensar em mais alguns pontos!

  • Você toma só uma lata ou várias de uma vez? Ou será que você é daqueles que toma uma latinha várias vezes por semana? É importante sempre avaliar a quantidade total que consome!
  • É comum as pessoas tomarem cerveja e consumirem aperitivos, como batata frita. E aí, o valor calórico da refeição é muito maior!
  • Bebidas alcoólicas são chamadas de “calorias vazias”. Isso porque 1g de álcool tem 7 kcal, mas nosso corpo não usa álcool como fonte de energia. Ele tende a ser transformado em gordura e pode aumentar os triglicerídeos sanguíneos. E bebida alcoólica não tem quantidades consideráveis de vitaminas e minerais, como outros alimentos calóricos. Logo, são calorias sem quase nada de nutrientes!

Ou seja, se você é um apreciador de cerveja, não precisa deixar ela de lado! Mas tenha cuidado ao escolher aquelas que apresentam composição melhor e, principalmente, deguste com moderação!

Referências

ROSA, N. A., AFONSO, J. C. A Química da Cerveja. Química Nova na Escola. São Paulo, v. 37, n. 2, p. 98-105, 2015. Disponível em <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc37_2/05-QS-155-12.pdf>

BRASIL. Constituição (2009). Decreto nº 6871, de 4 de junho de 2009. Regulamenta a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2009/decreto-6871-4-junho-2009-588673-normaatualizada-pe.html>

Natali Carol Fritzen

Nutricionista | CRN 8-8434

Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2012, Natali procura impactar a vida de pessoas por meio de sua profissão. Já realizou residência multiprofissional em Atenção Hospitalar na área de concentração Saúde do Adulto e do Idoso no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2015.

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