O prato de espaguete: Um Mapa da Obesidade

mapa da obesidade

Essa prato de espaguete representa os clássicos “Carboidrato engorda”, “Estou evitando massas”, “Contém Glúten”, “Glúten engorda, dá barriga”, “Estou evitando carne vermelha”, “Carne vermelha tem mais gordura”, logo “engorda” e coisas do tipo.

Pessoas que nunca frequentaram consultórios de especialistas, propagam essas frases. POR ANOS. E até os próprios “especialistas” fazem isso.

Mas será que a causa da obesidade é só a alimentação? É só o que está no prato?

Aí você dá de cara com essa figura. Agora você se depara com um “prato de espaguete” alienígena e não entende nada.

mapa da obesidade

Esse espaguete com almôndegas coloridas e disformes é um gráfico, O MAPA DA OBESIDADE.

Cada almôndega colorida representa um âmbito na vida das pessoas (alimentação, atividade física, mídia/marketing, educação, psicológico, influências sociais, biologia…).

Cada fio do espaguete se liga à uma ou mais almôndegas, tem aspecto diferente, pode ser positivo ou negativo.

Quanto mais os pesquisadores tentam achar respostas pra obesidade, maior fica o espaguete alien!

Não entendeu nada?

Então saiba que assim como você ficou tentando entender, a gente fica sem saber por onde começar a explicar…

Em 2017 houve o alarde de que a obesidade aumentou no Brasil. O Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostrou mais uma vez que mais da metade da população está com sobrepeso.

Você parou pra entender como essa pesquisa é feita ou só pegou a conclusão dela e ficou em posição fetal achando que o destino da humanidade é acabar por conta da gordura localizada?

O Vigitel é uma pesquisa que coleta seus dados por contato telefônico. Ligam pras pessoas e pedem o peso e altura delas pra calcular o IMC. Dessa forma, a pessoa é classificada em baixo peso, peso adequado, sobrepeso ou obesa.

Não perguntam se a pessoa está satisfeita com o peso dela, se ela tem um corpo musculoso, flácido ou com edemas, se ela está feliz quando se olha no espelho. Mas perguntam se ela considera seu estado de saúde bom. Ok! Mas o que essa pessoa entende por estado de saúde?

Sempre falo e tento colocar na cabeça de quem lê, a saúde não é só ausência de doenças.

Não adianta tentar “curar” um aspecto da sua vida que te incomoda, achando que é simplesmente resolver isso e todo o resto ficará bem.

Por décadas os pesquisadores tem feito essas perguntas e a maioria das respostas veio por pura ELIMINAÇÃO.

Sabe quando você faz uma prova de múltipla escolha e vai eliminando as respostas que você sabe que são erradas? Você pode acertar a questão assim, mas você acertaria se fosse uma questão discursiva?

Na alimentação tá acontecendo um fenômeno parecido.

Não se tem certeza de quais alimentos (comida de verdade, tá?) fazem mal ou estão causando o aumento da obesidade no mundo. O que fazer? Vamos eliminando um por um. Tira a gordura, tira o glúten, tira a lactose, tira os carboidratos.

Tá, mas e daí nutri?

E daí que um prato de espaguete só tem glúten e gordura saturada? Quando você elimina o espaguete da sua alimentação, o que mais vai embora com ele?

Você pensou em outros nutrientes? Pensou também no prazer que você sente em almoçar domingo na casa da avó?

Então vamos começar a pensar um pouquinho mais… Alimento não serve só pra alimentar seu corpo! 😉

nutricionista debora dias cabral

Débora Dias Cabral

Nutricionista | CRN 4-12100272

Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) em 2012 e Mestre em Saúde Pública na subárea de Epidemiologia pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) desde 2015.

Defende o conceito ampliado de saúde. Muito além da ausência de doenças, a saúde é o bem estar físico, social e emocional. Os alimentos são essenciais para suprir essas esferas.

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