Você sabe como esta seus níveis de vitamina D?

energie_vitD-blog

A vitamina D ou colecalciferol é uma vitamina lipossolúvel, obtida principalmente através da luz solar (90% é sintetizada na pele humana pela radiação UV-B) e de fontes dietéticas (10%). Na dieta, poucos alimentos são fontes de vitamina D: óleo de fígado de bacalhau, gema de ovo, fígado, manteiga, peixes como arenque, salmão, cavala e, em menor quantidade, sardinha e atum. Mesmo assim, até o alimento com as maiores quantidades da substância, o salmão, conta com somente 6,85% das necessidades diária de vitamina D em uma porção de 100 gramas.

A deficiência de vitamina D já é uma pandemia, ou seja, uma epidemia disseminada em vários países. Apesar de ter esse nome, a vitamina na verdade, é considerada um hormônio, de acordo com as últimas publicações científicas.

A forma mais fácil e natural de se obter vitamina D é a partir da exposição à luz do sol, que estimula a pele a produzir a vitamina. Essa exposição deve ocorrer pelo menos duas vezes por semana e ter uma duração de 5 a 30 minutos, com braços e pernas descobertos e sem protetor solar, entre as 10 horas da manhã e 15 horas. Fatores como estação do ano, latitude e pigmentação da pele (as peles claras absorvem a vitamina D com mais facilidade; quanto mais escura a pele, mais tempo de exposição ao sol a pessoa deve ter para metabolizar a substância) podem interferir nessa síntese.

Sabe-se que a principal função da vitamina D é manter a homeostase de cálcio e do tecido ósseo, evitando o aparecimento de raquitismo em crianças e osteoporose e osteopenia nos adultos. Ela contribui para a absorção deste nutriente e uma melhor densidade mineral óssea. Estima-se que sem vitamina D somente 10 a 15% do cálcio ingerido seja absorvido.

Mas não é só isso! A Vitamina D também é requerida em outras situações. Confira abaixo!

OBESIDADE

Acredita-se que o aumento de peso relacionado à carência de vitamina D esteja envolvido com o “processo inflamatório”, uma vez que esta vitamina possui papel anti-inflamatório. Além disso, a vitamina D poderia também atuar nos mecanismos de regulação do apetite e impedir a lipólise (acúmulo de gordura). Pesquisas recentes também indicam que a vitamina D pode diminuir a resistência à insulina e aumentar a absorção de glicose. O aumento da secreção e/ou ação da insulina está relacionada à diminuição da fome e da ingestão de alimentos, o que pode ajudar a reduzir a obesidade e auxiliar a perda de peso.
HIPERTENSÃO

A Vitamina D também é importante no combate à pressão arterial, segundo os pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, isso se dá porque a vitamina é a principal responsável pelo controle do enrijecimento das artérias que eleva a pressão nas mulheres. Com a falta da vitamina, o organismo feminino faz um esforço três vezes maior para manter seu equilíbrio circulatório e acaba sobrecarregando algumas funções como a irrigação das artérias, o que gera um aumento na pressão e desconfortos, como tontura e transpiração excessiva.
CÂNCER

Um estudo conduzido com 32 mil mulheres mostrou que, quanto mais baixos os níveis de vitamina D, mais alto o risco de câncer de intestino. Outro estudo demonstrou que o câncer de próstata surge três a cinco anos mais tarde em homens que trabalham ao ar livre e que portanto, se expõem ao sol com regularidade, contribuindo para síntese adequada de vitamina D. Esta tem sido apontada tanto como tratamento quanto como prevenção do câncer.
DIABETES

Estudos demonstram um envolvimento potencial da vitamina D na gênese, prevenção e controle de ambos os tipos de diabetes (I e II). Ações imunomoduladoras e anti-inflamatórias da vitamina D são responsáveis por reduzir a destruição das ilhotas pancreáticas (onde há a produção de insulina), diminuindo a resistência à insulina e aumentando sua secreção.
SISTEMA IMUNE

Direta ou indiretamente, a vitamina D controla mais de 200 genes, responsáveis pela integridade da resposta imunológica. A deficiência desse micronutriente aumenta o risco de tuberculose, por exemplo. Além disso baixos níveis de vitamina D favorecem o surgimento de doenças autoimunes, que ocorrem quando o sistema imunológico da própria pessoa ataca e destrói os tecidos saudáveis do corpo. É o caso da esclerose múltipla e do lupus. Estudos preliminares sugerem que a vitamina D ativada pode ser um tratamento eficaz para a artrite reumatoide e psoríase.
DISTÚRBIOS PSIQUIÁTRICOS

Sabemos que níveis baixos de vitamina D estão associados com o surgimento de esquizofrenia na adolescência e diversos outros distúrbios psiquiátricos, dentre eles o mais comum é a depressão. Pesquisadores da Universidade Vrije, da Holanda, estudaram 1.282 pessoas entre 65 a 95 anos, das quais 169 sofriam de depressão leve. A taxa de vitamina D nas pessoas deprimidas era 14% menor que a observada nos demais idosos. Na hipovitaminose D os níveis de PTH estão aumentados, e este hormônio tem uma ligação indireta com alterações no humor e apatia, que são sintomas associados à depressão.
CORAÇÃO

A vitamina D possui características anti-hipertensivas e por isso seus níveis séricos baixos podem levar a uma alteração no sistema cardiovascular. Estudos mostram que a hipovitaminose D também pode estar ligada ao aumento da calcificação das artérias coronárias, aumentando a chance de infarto e AVC.
ALERGIAS

Existem evidências de que a vitamina D pode exercer função sobre a responsividade das vias aéreas, função pulmonar e controle da asma. Além disso pode estar relacionada a menor inflamação das vias aéreas.
FUNÇÃO COGNITAVA

Alguns estudos demonstram que gestantes com níveis baixos de vitamina D podem dar à luz, mais facilmente, a crianças autistas. Baixos níveis de vitamina D estão associados também com declínio cognitivo e aumento no risco de doença de Alzheimer.
Ufa…realmente a vitamina D é super importante para nossa saúde!

Procure seu médico ou nutricionista e realize a dosagem da vitamina D no seu sangue. Os suplementos só podem ser tomados após a constatação de deficiência, e só um profissional capacitado saberá qual a dose extra a ser administrada. É preciso muito cuidado com o excesso desta vitamina, que só ocorre por meio da suplementação, já que os alimentos não contam com quantidades grandes da substância e a obtenção dela por meio dos raios solares é regulada pela pele, que cessa a produção de vitamina quando atinge os valores necessários. Com o excesso de vitamina D, há a possiblidade de ocorrer a elevação da concentração de cálcio no sangue e isso pode provocar a calcificação de vários tecidos, sendo que o mais afetado é o rim, que pode chegar até mesmo a perder sua função.

Referências:
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Consenso sobre as Recomendações para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D. Arq. Bras. Endocrinol Metab. 2014;58/5.
Bordalo, L.A.; et al, Cirurgia bariátrica: como e por que suplementar, Rev. Assoc. Med. Bras., vol.57 num.01, São Paulo, Jan./Feb. 2011.
Sun, X.; Zemel, M.B., 1α, 25-Dihydroxyvitamin D and corticosteroid regulate adipocyte nuclear vitamin D receptor, International Journal of Obesity, 2008.

Por Amanda Oliveira
Nutricionista – CRN 8/7460