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08 . jun . 2018 Colesterol  Prevenção e Saúde  

Alimentos que baixam o colesterol, será que eles existem?

Você com certeza já ouviu sobre várias formas de baixar os níveis do colesterol pela alimentação através da redução do consumo de gorduras e de alimentos que possuem colesterol, certo? Mas será que essa é forma mais eficiente de reduzir os níveis? Será que existem alimentos que baixam o colesterol? Vamos descobrir!

Primeiro, você sabe o que é colesterol?

O colesterol é um composto basicamente formado por gordura que envolve nossas células, podendo ser dividido principalmente em HDL e LDL.

O LDL, conhecido como colesterol “ruim”, em excesso nas nossas artérias, costuma criar placas de gordura, aumentando assim, o risco de incidência de doenças cardíacas, como o infarto.

Já o HDL, conhecido como colesterol “bom”, remove todo o colesterol em excesso e leva de volta para o fígado. Então, podemos concluir que quanto mais aumentarmos a concentração de HDL no sangue e reduzirmos o LDL para os parâmetros normais, melhor, né?

E como melhorar os níveis de colesterol?

Tradicionalmente, a recomendação alimentar é uma dieta isenta em gorduras trans. A gordura trans é uma gordura totalmente industrializada utilizada na fabricação de bolachas, sorvetes, chocolates e margarinas.

Também é recomendado a redução do consumo de fontes de gordura saturada, conhecida como “gordura ruim” para menos de 10% do valor calórico total para indivíduos saudáveis e menos de 7% para aqueles com risco cardiovascular. Essa gordura é encontrada principalmente na carne vermelha, leite integral, queijos amarelos, banha, óleo de dendê e óleo de coco.

Novos estudos X Consumo de gordura saturada

Porém, nos últimos anos, novas pesquisas vêm surgindo a respeito do papel da gordura na incidência das doenças cardiovasculares.

Várias análises chegaram à conclusão que a gordura saturada, não tem tanta influência assim, como sempre se pensou.

Os pesquisadores puderam observar que, com o passar dos anos, quando a indústria começou a reduzir a gordura nos produtos industrializados e adicionar no lugar, o açúcar, a incidência de doenças cardíacas, ao invés de reduzir, aumentou, assim como a obesidade.

Além disso, alguns estudos apontam que o modo de processamento e cozimento dos alimentos, pode estar causando o aumento da produção de radicais livres, que são substâncias nocivas ao nosso organismo, que por consequência estão aumentando a nossa inflamação e as chances de incidência de doenças crônicas.

E os alimentos ricos em colesterol? Mais precisamente, o queridinho ovo?

Alimentos que baixam o colesterol, será que eles existem? Pode comer ovo?

Para quem não sabe, a gema do ovo é uma das principais fontes de colesterol alimentar.

Por muito tempo, a recomendação era retirar a gema totalmente da dieta para aqueles indivíduos que estavam com alterações nos níveis de colesterol.

Mas, com os novos estudos, concluiu-se que, quando inserido em uma alimentação saudável, o ovo é muito bem-vindo sim, obrigada! Além de ser rico em proteína e em inúmeros nutrientes, ele possui na sua composição a colina, que é muito importante no funcionamento do cérebro, auxiliando na memória e cognição. E não para por ai! Em um estudo realizado na Universidade do Kansas nos Estados Unidos, foi descoberto na gema uma substância chamada lecitina. Ela seria a responsável por não deixar o colesterol da gema ser absorvido no intestino e, portanto, absolveu o ovo da participação no aumento do colesterol.

Qual a recomendação atual? Existem alimentos que baixam o colesterol?

A resposta é: tenha equilíbrio na sua alimentação! Nenhum alimento isolado possui essa ação, portanto apostar em uma alimentação mais natural e ter moderação no consumo do açúcar é o caminho!

Além disso, consuma aqueles alimentos com propriedades anti-inflamatórias, ricos em gorduras boas, como ômega 3 e ômega 9. As principais fontes são os peixes, azeite de oliva, semente de girassol e oleaginosas, como castanhas, nozes e amêndoas.

Aumente também o consumo de frutas, verduras e legumes, pois possuem fibras e uma infinidade de vitaminas e minerais que auxiliam no combate dos radicais livres e melhora da inflamação no organismo.

Saiba quais os alimentos que possuem propriedades anti-inflamatórias e confira dicas de como introduzi-los na sua alimentação nessa matéria aqui!

Cuidados além da alimentação

Além dos cuidados com a alimentação, outras medidas podem ajudar a controlar o colesterol, como fazer atividade física regularmente e largar o cigarro. Confira nessa matéria 10 dicas para controlar o colesterol!

Lembre-se! A ciência sempre está descobrindo coisas novas e elas sempre podem estar sujeitas a mudanças, por isso é essencial tomar cuidado com medidas radicais e sempre procurar um nutricionista para saber a veracidade das orientações e qual se adequa mais a sua realidade!

Referências

Ovos aumentam o colesterol? Mito ou verdade? Disponível em: < https://drjulianopimentel.com.br/artigos/ovos-aumentam-colesterol-mito-ou-verdade/> Acesso em 24 de maio de 2018.

Spiteller, G; Afzal, M. The Action of Peroxyl Radicals, Powerful Deleterious Reagents, Explains Why Neither Cholesterol Nor Saturated Fatty Acids Cause Atherogenesis and Age-Related Diseases. Chem. Eur. J. 2014.

Tarino, P,W,S; Sun, Q; Hu, F, B; Krauss, R, M. Meta-analysis of prospective cohort studies evaluating the association of saturated fat with cardiovascular disease. Am J Clin Nutr 2010.

Malhota, A. Saturated fat is not the major issue. BMJ 2013.

Faludi AA, Izar MCO, Saraiva JFK, Chacra APM, Bianco HT, Afiune Neto A et al. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017. Arq Bras Cardiol 2017.

Thais Helena Beloto Cabral

Nutricionista | CRN 3-42143

Formação em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) no ano de 2013, residente no período de 2015 a 2017 pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e Idoso pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com experiência em atendimento ambulatorial e prestação de assistência nutricional em pacientes hospitalizados em diversas especialidades.

Precisamos incentivar o consumo da “comida de verdade”, promovendo assim melhores escolhas, não deixando de lado o prazer de comer e todo o contexto social e emocional em que ele está inserido.

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