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13 . ago . 2019 Maternidade  

Como enfrentar as principais dificuldades da amamentação? #agostodourado

Como enfrentar as principais dificuldades da amamentação? #agostodourado

Já estão muito bem divulgados todos os benefícios que o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses do bebê pode trazer, não é mesmo? Mas as mães que acabam de ter seus filhos em algum momento começam a perceber que não é muito bem uma “lua de leite” que elas encontram, existem diversas dificuldades da amamentação que elas podem vim a enfrentar.

Então, como estamos no Agosto Dourado, que é o mês da promoção do aleitamento materno, vamos falar da maternidade real?

Quais as principais dificuldades da amamentação encontradas pelas mães e como enfrentá-las?

Dificuldades da amamentação: #1 Pega incorreta

Primeiro ponto a ser observado quando a mãe está encontrando dificuldades para amamentar. Uma pega incorreta pode levar a diversos outros problemas. Então para saber se o bebê está pegando corretamente o seio da mãe, note os principais sinais da pega correta:

1. Boca de peixe

O bebê tem como reflexo a abertura da boca assim que a mãe toca o mamilo nela. E a pega correta é quando o bebê abocanha totalmente a aréola, não apenas o mamilo. Assim sua boca fica bem aberta, porém sem sobrar espaços para entrar o ar.

Como enfrentar as principais dificuldades da amamentação? Passo a passo da pega correta

Ao olhar de lado, é possível ver que os lábios do bebê ficam pra fora, formando uma boca de peixe como na imagem abaixo.

Note que o queixo deve tocar o seio da mãe e o nariz deve ficar livre para que o bebê respire tranquilamente. A mãe conseguirá ver a bochecha do bebê entrar ao sugar o leite.

2. Colo correto

Não adianta nada o bebê conseguir abocanhar corretamente a mama, se ao longo do tempo a mãe vai cansando e deixando o bebê torto. É importante que a mãe sente de maneira confortável, com apoio para braços, pernas, cabeça e coluna (pois pode demorar nessa posição) e que ao pegar o bebê, ele fique virado de frente para ela, barriga com barriga. Assim ela conseguirá segurar o bebê confortavelmente e por mais tempo.

3. Oferecer a mama corretamente

Você posicionou o bebê corretamente, viu que ele está buscando sua mama, faz até a boca de peixe, mas ainda não está dando certo? Pode ser a forma como você está segurando sua mama. É muito comum que as mães ofereçam a mama segurando-a com a mão formando uma tesoura.
Essa maneira de segurar pode mais atrapalhar do que ajudar o bebê. A forma correta é com a mão formando um C, onde a aréola fique livre para o bebê abocanhá-la por completo, somente para apoiar a mama para direcionar à boca do bebê.

Como enfrentar as principais dificuldades da amamentação? Colo correto

Dificuldades da amamentação: #2 Pouco Leite

Esse é um mito bastante presente. É comum que pessoas próximas digam que o leite da recém mamãe é fraco, pois a criança chora muito. Ou achem o bebê magrinho, só de olhar, e por isso a mãe não deve ter leite o suficiente. Enfim, as falas são as mais diversas, mas no fim das contas, a comparação ou quem deve achar algo é o Pediatra! É ele que dirá se o seu bebê está ganhando peso corretamente. E, infelizmente, não é raro achar pediatras que desencorajam a amamentação exclusiva até os 6 meses também.

Para saber se seu leite está sendo suficiente para o crescimento adequado do seu bebê, você não deve compará-lo a outros bebês. Você deve comparar o ganho de peso do seu bebê com os pesos aferidos anteriormente. É assim que você avalia o crescimento do seu bebê dentro da curva de crescimento.

Não, seu bebê não precisa ter determinado peso com tantos meses, seu bebê precisa estar andando corretamente dentro das curvas! Ele pode ser um bebê magrinho e ir ganhando peso abaixo da curva do p50. Afinal, as curvas de crescimento foram estabelecidas para a média da população.

Existem bebês altos e leves, bebês baixos e pesados, bebês pesados e altos, enfim… Seu bebê passará por várias avaliações para que se chegue a conclusão de que ele não está crescendo adequadamente.

E antes que deixem condenar a quantidade de leite que você está produzindo, veja se não tem outros fatores interferindo. Você pode sim passar por situações de estresse (emocionais, físicos, alimentares) que podem alterar a sua produção de leite, mas antes de desmamar seu bebê, continue tentando corrigir esses fatores para que a produção retome a todo vapor!

Lembre-se: Peito é fábrica, não estoque! Então se as condições não estão favoráveis para a produção de leite, o ideal é corrigir essas condições e não apelar imediatamente para uma fábrica externa!

Dificuldades da amamentação: #3 Dor

Você pode estar encontrando dificuldades físicas para a amamentação. E sim, a dor pode aparecer. Seja no seio, na coluna, na cabeça, enfim… Acho que desde a gestação você já percebeu que a maternidade anda de mãos dadas com as dores.

Muitas dessas dores podem ser corrigidas com a pega correta já explicada no primeiro tópico. Algumas outras podem precisar de ajuda extra. Mas como a amamentação é um período em que a mãe não pode buscar qualquer remédio para suas dores, mais uma vez é importante buscar ajuda profissional para dizer quando a coisa está passando do limite fisiológico e o que fazer para resolver.

Fissuras – podem ser devidas a pega incorreta.

Evite o uso de cremes e óleos sem indicação, pois podem até piorar a pega do bebê, deixando o seio escorregadio. Também é um mito que a mama deve ser preparada para amamentar, não se deve passar buchas ou toalhas para “calejar” o seio, isso só piora e não tem comprovação científica alguma.

Seios ingurgitados

Que palavrão para falar que o leite empedrou, né? A mama pode acabar ficando muito cheia, caso não seja esvaziada corretamente ou a produção acabe sendo maior do que a necessária ou até fique sem amamentar por longos períodos. E causa dor! A principal solução para isso é a ordenha manual. Simples, mas demora para pegar a manha da rotina. E não se culpe por isso. Lembre-se sempre de que é um relacionamento! Apesar de ter saído de dentro de você, seu bebê tem sua própria rotina corporal. E na livre demanda é ele quem vai ditar as regras de quando a mama deve produzir mais ou menos leite. E sim! Isso varia com o tempo também…

Mastite

Sim, você pode ficar com os seios inflamados. A mastite é uma doença mesmo. E precisa de avaliação profissional para sanar. Mas muitas vezes é o extremo de uma série de erros que vem sendo cometidos ao longo do tempo, portanto pode ser evitada com os passos anteriores.

Dificuldades da amamentação: #4 Alimentação da mãe

Na livre demanda pode ficar difícil até de fazer xixi, que dirá se alimentar corretamente, não é? Mas é um fator muito importante para o sucesso do aleitamento.

A mãe precisa continuar tendo uma alimentação equilibrada, que atenda suas necessidades que serão maiores nessa fase, pois há um gasto energético maior para a produção de leite e recuperação do corpo.

  • Procure manter uma rotina para se alimentar, busque ter horários e não pular refeições. O ideal é conseguir fazer ao menos 3 grandes refeições (café da manhã, almoço e jantar) e pelo menos 1 lanche intermediário. Ou seja, são 4 refeições ao dia.
  • Coma todos os nutrientes! Não é hora de fazer restrição para recuperar o corpo de antes da gravidez. Alimente-se de forma saudável que o peso irá se ajustar ao longo do tempo. Não tenha pressa! Não restrinja macronutrientes e lembre-se que seu bebê precisa de todos os nutrientes que você come para formar o alimento dele: o seu leite!
  • BEBA ÁGUA! Se seu bebê mama várias vezes ao dia, tenha você também a sua mamadeira de água! É muito importante que você mantenha a sua hidratação em dia. Eu diria que de todos os fatores alimentares ela é o mais importante para a produção de leite.

Alimentos que aumentam a produção de leite existem?

Não! Isso é mito. Cerveja preta, canjica, aveia, etc, nenhum deles aumenta a produção de leite. Então, não adianta comer um monte para tentar deixar o leite menos fraco.

Como explicado no tópico que fala sobre pouco leite, o que esses alimentos podem fazer é deixar a mãe mais alimentada ou apenas fazer com que ela relaxe e consiga produzir seu leite em paz! Mas não existe um nutriente que faça ela produzir mais ou menos leite, não.

Dificuldades da amamentação: #5 Aprenda a filtrar!

Não, não estou falando que você precisa filtrar seu leite! A dica aqui é que você aprenda a filtrar os palpites que vai receber. É inerente! Você engravida e todas as pessoas que já tiveram qualquer experiência com o assunto irão querer te passar informação.

Lembre-se de sempre pensar “ela só está tentando ajudar, a intenção é boa”, mas filtre, veja o que dessa informação pode ser aplicado no seu dia a dia e siga com o seu coração. Assim como cada relacionamento é único, o seu relacionamento com seu bebê também será! Então por mais que alguns fatores possam parecer unânimes, no seu caso pode ser diferente. E só o coração de mãe vai saber o que realmente o filho precisa.

No mais, uma mãe precisa estar tranquila para amamentar. E isso é fisiológico! O leite depende da liberação de ocitocina (hormônio do amor) para ajudar na produção do leite. Então não adianta estar sendo bombardeada de informações terroristas né?

Faça uma campanha: “Troco um palpite por uma marmita!” Assim a pessoa aprende que se ela não está te ajudando com uma bela comidinha no freezer para em momentos de aperto, o palpite na hora errada não será bem-vindo!

Dificuldades da amamentação: #6 Falta de informação

Na maioria dos casos de desmame precoce ou dificuldades para conseguir o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida do bebê a causa é a FALTA DE INFORMAÇÃO!

Já ouvi dizer que a amamentação pode ser até mais difícil que um parto. Então procure se informar em fontes confiáveis para que não fique perdida quando começar a perceber que a lua de leite não está rolando. Uma dica é buscar durante a gestação o contato de uma consultora de aleitamento materno na sua cidade. Assim, se o desespero bater nos primeiros dias de vida do bebê, não hesite em buscar a ajuda dela o quanto antes! Isso pode fazer a diferença no sucesso da amamentação.

Leia, busque bancos de leite, rodas de gestantes e lactantes, pediatras e nutricionistas materno-infantis. Tenha uma rede de apoio! Busque pessoas nas quais você pode confiar para que esse momento se torne prazeroso e saudável! E não uma guerra de “quando eu fiz não tinha nada disso e tá tudo vivo até hoje”. Porque à medida que o tempo passa, a ciência também avança e começamos a perceber que muito do que se fazia antigamente pode sim, estar interferindo na saúde dos adultos de hoje.

Então depois de saber um pouco sobre as principais dificuldades da amamentação, agora deixo você com todas as vantagens de realizar esse ato de entrega e criação de um vínculo que só o amor de mãe pode estabelecer:

Benefícios do aleitamento materno exclusivo e sob livre demanda até os 6 meses

  • Evita morte infantil
  • Evita diarreia
  • Evita infecção respiratória
  • Diminui risco de alergias
  • Diminui risco de hipertensão, hipercolesterolemia e diabetes
  • Reduz risco de obesidade
  • Melhor nutrição
  • Efeito positivo na inteligência
  • Melhor desenvolvimento da cavidade bucal
  • Proteção contra câncer de mama
  • Menor custo
  • Promoção do vínculo afetivo entre mãe e filho
  • Melhor qualidade de vida

São diversas as dificuldades da amamentação que você pode vir a enfrentar, ou está enfrentado. Não desista, busque ajuda, respire fundo! Os benefícios para o seu bebê, como acabei de citar, são enormes! <3

Referências

BALABAN, Geni; SILVA, Giselia AP. Efeito protetor do aleitamento materno contra a obesidade infantil. J Pediatr (Rio J), v. 80, n. 1, p. 7-16, 2004.

DE ARAÚJO, Olívia Dias et al. Aleitamento materno: fatores que levam ao desmame precoce. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 61, n. 4, p. 488-492, 2008.

MARQUES, Emanuele Souza; COTTA, Rosângela Minardi Mitre; PRIORE, Silvia Eloiza. Mitos e crenças sobre o aleitamento materno. Ciência & saúde coletiva, v. 16, p. 2461-2468, 2011.

MINISTÉRIO DA SAÚDE; Saúde da criança: Nutrição infantil – Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Caderno de Atenção Básica, nº23. Brasília – DF, 2009.

nutricionista debora dias cabral

Débora Dias Cabral

Nutricionista | CRN 4-12100272

Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) em 2012 e Mestre em Saúde Pública na subárea de Epidemiologia pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) desde 2015.

Defende o conceito ampliado de saúde. Muito além da ausência de doenças, a saúde é o bem estar físico, social e emocional. Os alimentos são essenciais para suprir essas esferas.

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