26 . set . 2017 Vegetarianismo  

Cogumelo não é fonte de proteína, você sabia?

cogumelo não é fonte de proteína

Cogumelo é o nome comum dado às frutificações de alguns fungos. Eles são datados de muitos anos atrás e já foram utilizados para as mais diferentes finalidades, além da alimentação. Os egípcios acreditavam que os cogumelos eram um presente do deus Osíris; os romanos que eram um alimento divino; para os chineses os cogumelos eram considerados “elixir da vida”; os índios mexicanos os utilizavam como alucinógenos e em rituais religiosos e feitiçarias. Além disso, ele era utilizado de forma medicinal por algumas culturas.

Tipos de Cogumelo

Algumas espécies de cogumelo são venenosas e outras alucinógenas, mas a maioria é comestível, sendo que as variedades mais saborosas não passam de 20 espécies. No Brasil as três espécies mais habitualmente cultivadas e consumidas são a A.–bisporus, conhecido como champignon Paris; L. edodes, conhecido como shiitake; e Pleurotus, conhecido como shimeji.

Os cogumelos são compostos principalmente por água, carboidratos, fibras e proteína, e possuem grande valor nutricional. Porém, o valor nutricional dos cogumelos varia em função da espécie, da linhagem cultivada, do processamento após colheita, do estágio de desenvolvimento e do tipo de substrato de cultivo utilizado. Dentre os muitos fatores que podem influenciar o valor proteico dos cogumelos, o mais importante talvez seja o substrato no qual ele é cultivado.

  • O Champignon de Paris foi a primeira espécie a ser cultivada no Brasil e é a espécie mais cultivada no mundo.
  • O Shiitake é o segundo cogumelo mais consumido no mundo e na literatura são citados aspectos medicinais e terapêuticos do shiitake, devido a um grande número de compostos biologicamente ativos que já foram isolados e purificados.
  • E o Shimeji foi descoberto no Brasil e tem sido utilizado em forma de chás, cápsulas e também como alimento para prevenção de câncer, doenças do aparelho circulatório, digestivo e urinário.

Em base seca (desidratado), os cogumelos constituem um alimento com um bom valor nutritivo. Os carboidratos variam de 54 a 69% da sua composição; as proteínas de 19 a 28%; lipídios de 4 a 5% e fibras de 20 a 39%. Além de diversas vitaminas e minerais.

Só devemos ficar atentos, pois é muito falado que eles são fontes de proteínas. Mas será que são mesmo?

O cogumelo não é fonte de proteína na sua versão natural! Por que?

O que é um alimento fonte?

Segundo a RDC Nº 54, de 12 de novembro de 2012, um alimento é considerado fonte de proteína se ele tiver o mínimo de 6 g de proteínas por 100 g ou 100 ml ou por porção.

Sendo assim, os cogumelos só seriam fonte de proteína se considerarmos os mesmos desidratados, caso contrário eles não são, como podemos ver na tabela a baixo. Em base úmida (como normalmente ingerimos) os cogumelos apresentam uma média de:

  • 5,6% de carboidrato;
  • 2,9% de proteína;
  • 0,42% de lipídios;
  • 2% de fibras.

Tabela Composição Nutricional dos Cogumelos - Champignon - cogumelo não é fonte de proteína

Ahhh nutri, já que o cogumelo não é fonte de proteína, vou tirar ele da minha dieta…

Não precisa deixar ele de lado não! Até porque, se você for comer cerca de 100g de cogumelos SECOS, você está consumindo uma boa porção de proteína sim! É tudo uma questão de quantidade que vai ingerir. Além disso, o cogumelo é um alimento nutritivo: o shiitake e o shimeji são fontes de fibra, além de todos eles serem ricos em vitaminas e minerais, principalmente B1, B2, B9, fósforo e vitamina C!

Quais alimentos são fontes de proteína?

Como excelentes fontes de proteínas temos as carnes, peixes, aves e ovos, além das leguminosas (feijão, lentilha, soja e grão de bico) e do leite e derivados! Então, vegetarianos não se preocupem, temos fontes de proteína que excluem carne!

Conheça um pouco mais sobre os alimentos importantes em uma dieta vegetariana: Conheça a Pirâmide Alimentar Vegetariana.

E além do valor nutricional, pesquisas tem demonstrado que algumas espécies de cogumelo agem fortalecendo o nosso sistema imunológico!

Por isso, lembre-se sempre: temos que considerar o alimento como um todo. Ele não é um único nutriente!

Referências

Cogumelos comestíveis: valor nutricional. Disponível em: http://www.nutricaoempauta.com.br/lista_artigo.php?cod=1274. Acesso em: 18 de agosto de 2017.

Furlani, Regina Prado Zanes; GODOY, Helena Teixeira. Valor nutricional de cogumelos comestíveis. Ciênc. Tecnol. Aliment.,  Campinas ,  v. 27, n. 1, p. 154-157,  Mar.  2007 .

Furlani, RPZ; Godoy, HT. Valor nutricional de cogumelos comestíveis: uma revisão. Rev Inst Adolfo Lutz, 64(2):149-154,2005.

Milena, A. Fungos – Benefícios terapêuticos dos cogumelos. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/biologia/fungos-beneficios-terapeuticos-dos-cogumelos/56014. Acesso em:

Netto, C.G. Pesquisa determina valor nutricional de Cogumelo. Disponível em:http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/ju277pag11.pdf. Acesso em: 21 de agosto de 2017.

RDC Nº 54, 12 de novembro de 2012. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/%2033880/2568070/rdc0054_12_11_2012.pdf/c5ac23fd-974e-4f2c-9fbc-48f7e0a31864. Acesso em: 21 de agosto de 2017.

Tabela Nutricional do champignon e shimeji. Disponível em: https://www.fatsecret.com.br/. Acesso em: 21 de agosto de 2017.

Tabela nutricional do Shiitaki. Disponível em: http://www.dietaesaude.com.br/dietas/alimentos/busca?q=shimeji. Acesso em: 21 de agosto de 2017.

Priscila Tomaz Nutricionista

Priscila Tomaz

Nutricionista | CRN 9-12812

Apaixonada pela nutrição. Tem um brilho no olhar em poder ajudar as pessoas a melhorar a qualidade de vida e a alcançar seus objetivos. Tem para si que alimentar-se é mais que nutrir o corpo. É, também, relacionar-se com o emocional e o comportamental. Tem como objetivo mostrar que a nutrição não é um conjunto de regras com vários tabus e sim uma ciência que leva em consideração a pessoa como um todo, sua individualidade, sua personalidade, sua cultura. Que alimentar-se bem é simples e deve ser um prazer e não uma tortura ou terrorismo.

Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Viçosa desde 2012 e pós-graduada em “Nutrição e exercícios aplicados à prevenção e ao tratamento de doenças” pela Universidade Estácio de Sá desde 2014.

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