O autoexame das mamas é uma forma de conhecer o próprio corpo, mas não substitui a mamografia nem a avaliação de um profissional de saúde. Algumas alterações podem não ser percebidas pelo toque, e o rastreamento mamográfico tem justamente o objetivo de identificar alterações antes do surgimento de sintomas. No SUS, ela é recomendada a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, e mulheres de 40 a 49 anos podem fazer o exame após conversa com um profissional de saúde.
Cuidar da saúde das mamas não significa viver em estado de alerta. Significa conhecer o próprio corpo, reconhecer mudanças e manter o acompanhamento de saúde em dia.
Como conhecer suas mamas e identificar alterações?
Hoje, o termo “autoexame” pode gerar uma ideia equivocada de que existe uma técnica específica que deve ser realizada mensalmente para rastrear o câncer de mama.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta uma abordagem de atenção à saúde das mamas, em que a mulher conhece o aspecto e o toque habituais de suas mamas e fica atenta a mudanças.
Você pode observar e palpar as mamas:
- durante o banho
- ao trocar de roupa
- ao se vestir
- em outros momentos do cotidiano em que se sentir confortável
Não é necessário seguir uma técnica específica ou estabelecer um dia fixo do mês. O objetivo é perceber o que é habitual para você e identificar mudanças que mereçam avaliação.
O que observar nas mamas?
Procure atendimento de saúde se perceber, por exemplo:
- nódulo endurecido ou que esteja aumentando
- alteração persistente na pele da mama
- retração da pele ou do mamilo
- aspecto de “casca de laranja”
- mudança no formato da mama ou do mamilo
- saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente se sanguinolento
- aumento progressivo de uma das mamas
- alteração ou nódulo persistente na região das axilas
Quando fazer a mamografia?
A mamografia é um exame de imagem utilizado para o rastreamento do câncer de mama em pessoas sem sinais ou sintomas.
Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar, no SUS, a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Essa recomendação considera o equilíbrio entre benefícios e possíveis riscos do rastreamento nessa população. A mesma orientação, publicada na Nota Técnica nº 626/2025, garante o acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos sem sintomas que desejarem fazer o exame, após conversa com um profissional de saúde.
| Faixa etária | Orientação geral |
|---|---|
| Abaixo de 40 anos | Não há indicação de mamografia de rastreamento de rotina. Auto-observação e exame clínico das mamas em consultas de rotina. |
| 40 a 49 anos | Não há rastreamento populacional de rotina para todas, mas a mamografia pode ser feita no SUS por decisão compartilhada: o profissional explica benefícios e desvantagens, e a decisão final é da mulher. |
| 50 a 74 anos | Mamografia de rastreamento a cada 2 anos, conforme recomendação atual do Ministério da Saúde. |
| Acima de 74 anos | A decisão sobre rastreamento deve ser individualizada, considerando riscos, benefícios e condições de saúde. |
Essa tabela se refere a rastreamento de pessoas sem sinais ou sintomas. Quando existe uma alteração suspeita, a investigação é diferente e pode envolver exame clínico e exames de imagem independentemente da idade.
Algumas entidades médicas têm uma recomendação diferente. A Sociedade Brasileira de Mastologia, junto com o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Febrasgo, recomenda mamografia anual dos 40 aos 74 anos para mulheres com risco habitual. Por isso, vale conversar com o profissional que acompanha você sobre a melhor rotina para o seu caso.
Mulheres com alto risco, como aquelas com forte histórico familiar ou predisposição hereditária, precisam de uma avaliação individualizada para definir a estratégia de acompanhamento.
Por que o autoexame não substitui a mamografia?
O autoexame ou a observação das próprias mamas ajudam no conhecimento do corpo, mas não substituem a mamografia, o exame clínico ou a investigação médica quando existe alguma alteração.
Algumas alterações podem não ser percebidas pelo toque. O rastreamento mamográfico tem justamente o objetivo de identificar alterações antes do surgimento de sintomas.

Percebi uma alteração. E agora?
Primeiro: não entre em pânico!
Uma alteração na mama não significa necessariamente câncer. Porém, ela merece avaliação.
O próximo passo é procurar uma unidade de saúde, um ginecologista, um mastologista ou outro profissional habilitado para realizar a avaliação adequada.
Dependendo do achado e da idade, podem ser solicitados exames como mamografia, ultrassonografia ou outros métodos de investigação. A confirmação de câncer, quando necessária, depende de avaliação diagnóstica apropriada e, em determinadas situações, biópsia.
Mitos e verdades
“Preciso fazer o autoexame todo mês, no mesmo dia.”
Mito. A orientação atual do INCA é conhecer as próprias mamas e observar ou palpar quando se sentir confortável, sem técnica ou periodicidade fixa.
“Se não encontrei nenhum caroço, posso ficar tranquila e não preciso fazer mamografia.”
Mito. Algumas alterações podem não ser percebidas pelo toque. O rastreamento mamográfico tem justamente o objetivo de identificar alterações antes do surgimento de sintomas.
“Todo nódulo na mama é câncer.”
Mito. Existem diversas causas benignas para alterações mamárias. Um nódulo deve ser avaliado para determinar sua natureza.
“Uma mudança na mama deve ser investigada.”
Verdade. Alterações novas ou suspeitas devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Perguntas frequentes
Com que frequência devo fazer o autoexame?
Não é necessário seguir uma frequência fixa. O mais importante é conhecer suas mamas e perceber mudanças ao longo do cotidiano.
Com que idade devo começar a fazer exames para câncer de mama?
Não existe uma única rotina de exames válida para todas as mulheres. Para o rastreamento populacional pelo SUS, a recomendação atual é mamografia a cada dois anos dos 50 aos 74 anos. Entre 40 e 49 anos, o exame pode ser feito após conversa com um profissional de saúde, e antes ou depois dessas faixas a decisão deve considerar a avaliação individual.
E se eu tiver histórico familiar?
O histórico familiar pode modificar o risco individual. Nesses casos, é importante conversar com um profissional de saúde para avaliar o risco e definir a estratégia de acompanhamento.
O autoexame substitui a mamografia?
Não. A observação das próprias mamas é uma forma de conhecer o corpo, mas não substitui a mamografia nem a avaliação de um profissional de saúde.
Encontrei um nódulo. Isso significa que tenho câncer?
Não necessariamente. Mas uma alteração nova, persistente ou suspeita precisa ser investigada. Evite tentar interpretar o achado sozinha e procure atendimento.
Informação também é uma forma de cuidado
Você não precisa ter medo de olhar para o próprio corpo.
Conheça suas mamas, mantenha suas consultas de rotina e siga as recomendações de rastreamento indicadas para você. E, diante de uma alteração, procure avaliação sem esperar que ela desapareça por conta própria.
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