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06 . ago . 2019 Prevenção e Saúde  

Ômega 3: veja como ele pode ajudar no tratamento de doenças autoimunes

Ômega 3: veja como ele pode ajudar no tratamento de doenças autoimunes

Você já deve ter ouvido falar dos vários benefícios do ômega 3 para nossa saúde, não é? Ele está diretamente ligado na prevenção e tratamento de doenças que acometem o sistema cardiovascular, hepático, no processo de emagrecimento e na melhora da memória e concentração! E você pensa que é só isso (ou tudo isso) que ele pode atuar? Existe muito mais!

Estudos indicam que seu uso também pode auxiliar no tratamento das doenças autoimunes. Quer descobrir como? Dá uma conferida nesse artigo onde vamos falar tudo que você precisa saber sobre o que são as doenças autoimunes, como o ômega 3 pode auxiliar no tratamento e prevenção delas e quais são os alimentos fonte desse nutriente que pode beneficiar tanto a nossa saúde!

Antes de tudo, você sabe o que é uma doença autoimune?

Sabemos que nosso sistema imunológico é o responsável por produzir nossas células de defesa, protegendo o nosso organismo contra ameaças, como vírus, toxinas e bactérias, certo?

No caso da doença autoimune, nossas próprias células de defesa ao invés de nos proteger, começam a atacar nossos tecidos saudáveis por engano, provocando processos inflamatórios e por consequência diversos danos ao nosso corpo.

O motivo para isso acontecer ainda é incerto, o que se sabe é que mais de uma centena de doenças crônicas, como a diabetes por exemplo, ocorrem devido a uma resposta autoimune. Existem por volta de 80 tipos diferentes de doenças consideradas autoimunes, cada uma com características, resposta evolutiva e sintomas específicos. Dentre as mais conhecidas podemos listar o Lúpus, Diabetes tipo I, Doença de Chron, Psoríase, Doença Celíaca e a Esclerose Múltipla.

Normalmente o diagnostico é feito por exame físico, analise do histórico médico do indivíduo e da família, avaliação do hemograma completo, analise dos anticorpos e muitas vezes também, avaliação de alguns exames específicos, dependendo da queixa ou causa aparente da doença.

Se não tratada, a doença autoimune pode provocar consequências graves, como destruição dos tecidos do corpo, crescimento anormal de órgãos e alterações de sua função. Os mais afetados são os vasos sanguíneos, tecidos conjuntivos, glândulas endócrinas como tireoide e pâncreas, músculos, articulações e pele.

Qual é o tratamento da doença autoimune?

O tratamento depende muito do tipo da doença, no geral seu principal objetivo se baseia em reduzir os sintomas, controlar a resposta autoimune do organismo e fazer com que o sistema imunológico comece a atuar de maneira normal, ou seja, identificando e combatendo agentes nocivos ao invés do nosso próprio sistema. Em geral, o uso de medicamentos do tipo corticoides é bem frequente na maioria das doenças autoimunes, devido sua função anti-inflamatória ser bem eficiente em controlar a reação do organismo em atacar as células saudáveis do corpo. Porém seu uso continuo não é recomendado a longo prazo, devido aos diversos efeitos colaterais, como retenção de líquidos, ganho de peso e aumento das chances de infecções.

Os resultados do tratamento dependem muito do tipo de doença e sua evolução, sendo a maior parte de origem crônica, ou seja, o indivíduo terá que controlar com medicação e mudanças de hábito a vida toda, podendo os sintomas estarem presentes ou não.

Felizmente, existem muitas pesquisas atualmente para a busca de tratamentos alternativos que possam auxiliar na redução do uso de medicação e consequentemente os efeitos colaterais, dentre eles, podemos listar o consumo do Ômega 3.

Afinal, quais os benefícios do Ômega 3?

O ômega 3 é considerado uma “gordura boa”, sendo dividido em 3 tipos: DHA, EPA e ALA. Seu efeito anti-inflamatório é o principal fator responsável por proporcionar os vários benefícios a nossa saúde. Ele está associado ao tratamento e prevenção das doenças cardiovasculares pela redução dos níveis de colesterol total, colesterol ruim (LDL), triglicérides e aumento do colesterol bom (HDL), além de atuar na melhora da memória, concentração e visão, auxiliar no processo de emagrecimento e no tratamento da esteatose hepática, mais conhecida como “gordura no fígado”.

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E como o ômega 3 pode ajudar no tratamento das doenças autoimunes?

Estudos indicam que o consumo adequado de ômega 3 pode ser um adicional ao tratamento das doenças autoimunes por agir na produção de mediadores químicos que combatem a inflamação provocada por essas doenças, favorecendo a ativação e funcionalidade dos linfócitos, que são nossas células de defesa, e ao mesmo tempo reduzindo a produção de biomarcadores, como por exemplo a proteína C reativa, responsáveis pelo aumento da inflamação em nossos tecidos, tendo assim função anti-inflamatória e imunomoduladora. Simplificando, ele é capaz de fortalecer a nossas células de defesa e ao mesmo tempo reduzir a ação dos compostos responsáveis por provocar a inflamação no nosso organismo, que é a principal responsável por desencadear os principais sintomas das doenças autoimunes!

Observou-se em alguns estudos redução de sintomas inflamatórios específicos pelo uso do ômega 3 em condições como artrite reumatoide, psoríase, asma, esclerose múltipla, Doença de Crohn e colite ulcerativa. Os principais relatos dos indivíduos que consumiam as fontes ou suplementavam esse nutriente, foram principalmente melhora da dor, da rigidez matinal no caso de problemas articulares e redução da dose da medicação, havendo menor incidência de efeitos colaterais provocados pelo tratamento medicamentoso e assim melhor qualidade de vida.

Além de poder estar associado ao tratamento, ele também pode ser utilizado como forma de prevenção ao aparecimento dessas doenças, principalmente no primeiro ano de vida, sendo muito importante nessa fase, e também ao longo da vida adulta, o consumo adequado de fontes de ômega 3 na rotina alimentar.

E quais os alimentos ricos em ômega 3?

Por não ser naturalmente produzido no nosso corpo, é necessário obtermos esse nutriente pela nossa alimentação ou por suplementação. As principais fontes são os peixes de água fria e profunda como atum, sardinha, salmão, arenque, truta e anchova, além de também ser encontrado em algumas fontes vegetais como semente e óleo de linhaça, semente de abóbora, nozes, amêndoas e algas. Segundo a Organização Mundial da Saúde a recomendação é de um consumo de 250 a 500mg de EPA e DHA ao dia.

E qual a quantidade ideal de consumo pensando na prevenção ou tratamento das doenças autoimunes? Ainda não foi estabelecido pela ciência um consenso da quantidade ideal a ser utilizada para esse proposito, por isso é importante se caso você ou algum conhecido seu, possua uma doença autoimune, procurar a orientação de uma nutricionista para avaliar e adequar esse nutriente na sua alimentação, para assim ele poder proporcionar todos os benefícios para sua saúde de maneira efetiva, não se esquecendo é claro, de associa-lo a uma alimentação equilibrada e prática de exercício físico regular!

Referências

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BRASIL. CLAYTON ANTUNES MARTIN. Ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 e ômega-6: importância e ocorrência em alimentos. Revista de Nutrição, Campinas, v. 5, n. 19, p.761-770, nov. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s1415-52732006000600011&script=sci_arttext>. Acesso em: 30 abril 2019

WAITZBERG, Dan L. Ômega-3: o que existe de concreto? 2003. 38 f. Monografia (Especialização) – Curso de Gastroenterologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em: <http://www.nutritotal.com.br/publicacoes/files/644–MonografiaOmega3.pdf>. Acesso em: 30 abril 2019.

GRISANTE, Alessandra Imaizume; STANICH, Patrícia. Esclerose Múltipla: aspectos nutricionais e o papel dos nutrientes específicos. Conscientize Saúde, São Paulo, v. 5, n. 1, p.67-74, jan. 2006. Disponível em: <https://www.redalyc.org/html/929/92900509/>. Acesso em: 30 abril 2019

Thais Helena Beloto Cabral

Nutricionista | CRN 3-42143

Formação em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) no ano de 2013, residente no período de 2015 a 2017 pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e Idoso pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com experiência em atendimento ambulatorial e prestação de assistência nutricional em pacientes hospitalizados em diversas especialidades.

Precisamos incentivar o consumo da “comida de verdade”, promovendo assim melhores escolhas, não deixando de lado o prazer de comer e todo o contexto social e emocional em que ele está inserido.

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