11 . dez . 2018 Comportamento Alimentar  

Os 3 transtornos alimentares mais comuns, suas causas e características

3 transtornos alimentares mais comuns, suas causas e características

Atualmente tem-se falado muito sobre alimentação e dietas – entre amigos, nas redes sociais, na mídia, etc – porém pouco se fala sobre as doenças relacionadas a isso, os transtornos alimentares. Vamos conversar sobre eles?

A busca pela “perfeição”

Cada vez mais pessoas estão com problemas com a comida, tem dúvidas sobre como, o que ou como comer… Além de ter dificuldades em aceitar, respeitar e amar o seu corpo, sempre em busca de um “corpo perfeito” ditado pela sociedade e influenciado pela mídia.

O começo do transtorno alimentar

Para tentar alcançar esse dito “corpo perfeito”, existem pessoas tentando de tudo!

Fazendo diversas dietas restritivas e colocando a sua saúde em risco, sem perceber! Já sabemos que dietas restritivas não funcionam para o emagrecimento a longo prazo, lembra que 95% das pessoas que fazem dietas voltam a engordar?

Além disso, fazer dieta restritiva pode gerar diversas consequências, sejam elas físicas, clínicas ou emocionais/psicológicas – como obesidade, obsessão por comida e transtornos alimentares.

Além disso, vivemos uma época de “terrorismo nutricional”, onde os alimentos e nutrientes são classificados como “permitidos” ou “proibidos”, que engordam ou emagrecem, com a criação de diversas regras sobre o que “pode” e o que “não pode” comer. Tudo isso gera ainda mais dúvidas e estresse ao se alimentar, podendo levar a fobias/medos alimentares (como vem acontecendo com o açúcar, o glúten e a lactose), o que também pode levar a transtornos alimentares. Com isso, as pessoas escutam cada vez menos os seus sinais internos de fome e saciedade, mudando seu comportamento alimentar.

Muitas pessoas desenvolvem um transtorno alimentar ao fazer uma dieta muito restritiva. Na verdade, fazer dieta muito restritiva aumenta em 18 vezes as chances de desenvolver um transtorno alimentar.

O que são os transtornos alimentares?

São quadros psiquiátricos, distúrbios no comportamento alimentar, no controle do peso e na imagem corporal, causado por diversos motivos: biológicos, psicológicos, clínicos e socioculturais, por isso, o tratamento multidisciplinar (psicólogos, médicos, nutricionistas, psiquiatras) é fundamental!

Existem diversos tipos de transtornos alimentares, sendo os mais comuns:

  • Anorexia nervosa
  • Bulimia nervosa
  • Transtorno da compulsão alimentar

Anorexia nervosa

É caracterizada pela perda excessiva e intencional de peso, levando a um emagrecimento não saudável (peso abaixo do indicado para a pessoa). É a busca da perda de peso a qualquer custo, com distorções sobre a comida e a imagem corporal.

Pode levar a consequências físicas, psicológicas e sociais, sendo necessária a hospitalização em alguns casos.

Atinge pessoas com obsessão, perfeccionismo e introspecção, com dificuldade de expressar seus sentimentos.

O tratamento deve ser feito a longo prazo, sem julgamento, com a reintrodução dos alimentos que a pessoa tem “medo de engordar” e o ganho de peso gradual.

Bulimia nervosa

Nesse transtorno alimentar existem ciclos de restrição, compulsão e compensação, com a ingestão exagerada de alimentos em certo espaço de tempo ou sensação de descontrole (compulsão) gerada após a restrição alimentar. Logo após vem a compensação, que pode ser vômitos induzidos, uso de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos e/ou exercícios físicos intensos, jejum e mais dietas restritivas, fazendo o ciclo ocorrer diversas vezes.

A bulimia nervosa induz a várias complicações clínicas, mas, na maioria dos casos, não há comprometimento do estado nutricional.

Geralmente, as pessoas com bulimia nervosa não dão importância as suas sensações internas de fome e saciedade nem ao prazer em comer, assim, deve-se resgatar esses sentimentos com o comer com atenção plena.

Transtorno da compulsão alimentar

É caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar, sem a compensação posterior (como no caso da bulimia).

A restrição alimentar promovida pela dieta traz uma sensação de privação biológica e psicológica, o que gera excessos alimentares, compulsão alimentar, frustação e ganho de peso.

No transtorno da compulsão alimentar é comum comer grandes quantidades de comida mesmo sem fome, mais rápido que o normal (até se sentir de estômago muito cheio) e comer sozinho ou escondido pela vergonha e sentimentos negativos, como tristeza.

É associado à depressão, baixa autoestima e piora na qualidade de vida da pessoa afetada.

Para tratar, deve-se encontrar estratégias para diminuir até acabar com as compulsões alimentares, promovendo a mudança gradual do comportamento alimentar.

A alimentação com atenção plena (ou mindful eating) é fundamental!

É essencial comer com atenção plena para a prevenção e o tratamento de transtornos alimentares, pois, assim, aprendemos a conhecer e respeitar o nosso corpo, nossos sinais internos de fome e saciedade e a ter uma boa relação com a comida! Confira 5 dicas para incluir o mindful eating na sua vida!

Coloque em prática a alimentação com atenção plena, respeite, conheça e ame o seu corpo! Questione o que vê nas redes sociais e o que seria esse “corpo perfeito” que a sociedade quer nos ditar! Seja feliz consigo mesmo! E, se perceber alguma alteração no seu comportamento alimentar, procure ajuda profissional de nutricionista, psicólogo e/ou médico.

Referências

ALVARENGA, M. et al. Nutrição Comportamental. 1 ed. Barueri- SP: Editora Manole Ltda, 2016.

PATTON et al. Onset of adolescent eating disorders: population based cohort study over 3 years. BMJ. 1999;318:765-8.

Fabíola Natália R. e Silva

Fabíola Natália R. e Silva

Nutricionista | CRN 1-10555

Apaixonada pela nutrição e pelos benefícios que ela traz a saúde, bem estar e qualidade de vida, minha missão é auxiliar na reeducação alimentar e mudança de hábitos, fazendo com que as pessoas acreditem e comprovem que uma alimentação saudável pode sim ser saborosa, resgatando o prazer em se alimentar, sem culpa nem restrições severas, com comida de verdade, alcançando uma alimentação equilibrada. Luta por uma nutrição eficiente, sem terrorismos nutricionais, com clareza, em busca do equilíbrio de corpo e mente, resultando em uma vida saudável e prazerosa.

Formada em Nutrição pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub) desde 2014, pós-graduanda em Nutrição Materno-infantil pela Estácio desde 2016 e atua como nutricionista clínica e em saúde coletiva.

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